A inflação e os investimentos do RPPS.

A inflação e os investimentos do RPPS.

A inflação é essencialmente “um fenômeno monetário”.

O aumento generalizado dos preços é a principal consequência da inflação, pode-se dizer ainda que a inflação é “o aumento artificial da quantidade de dinheiro e de crédito na economia”.

A quantidade de dinheiro e crédito disponível na economia é decorrente das políticas monetárias do governo, portanto conclui-se silogisticamente que o aumento sistemático e generalizado de preços tem o governo como causa próxima e, portanto, todo investdor precisa estar atento às políticas monetárias.

Qual a importância da inflação, portanto, para os investimentos do RPPS?

O equilíbrio financeiro e atuarial do RPPS é prejudicado pela inflação, em graus distintos, a saber:

  • a inflação de preços faz-se presente no valor das remunerações dos servidores ativos, que são anualmente reajustados;
  • o valor dos benefícios, na sua concessão, leva em conta o histórico das remunerações de contribuição dos servidores, portanto é influenciado pela inflação de preços;
  • a inflação de preços faz-se presente nos benefícios de aposentadoria e pensão já concedidos, porque são reajustados periodicamente visando a preservação do seu poder de compra;
  • os recursos garantidores do RPPS devem, no pior cenário, ser remunerados pela inflação de preços mais a taxa de juro atuarial de longo prazo, sob pena de incorrer em perda atuarial e, consequentemente, majorar o déficit atuarial; e
  • etc.

O que deve fazer o RPPS para proteger seus recursos garantidores da inflação?

Investir em ações seria uma estratégia satisfatória, no longo prazo, para proteger os recursos garantidores do RPPS contra a inflação de preços?

A resposta tende a ser positiva.  O Ibovespa entre janeiro de 2000 e novembro de 2022 valorizou-se 586,39%, taxa nominal anual de 8,80%, contudo no mesmo período a inflação de preços medida pelo IPCA, índice oficial do governo, foi de 305,04%, taxa média anual de 6,31%! A valorização do real do Ibovespa, líquida da inflação de preços, foi de 69,49% no período, taxa anual de 2,34%!

O investimento em ações superou a inflação de preços no período, protegendo de fato o poder de compra, contudo a rentabilidade real ficou muito aquém da necessária ao equilíbrio financeiro e atuarial do RPPS.

O que fazer?

J. Zweig afirma categoricamente que o investidor deve “fortalecer suas defesas contra a inflação por meio da diversificação além das ações”, cita por exemplo os “Títulos do Tesouro Protegidos contra a inflação” do governo americano, que remuneram o capital investido a uma taxa pré-definida acrescida da inflação.

O gestor de RPPS, por exemplo, pode diversificar seus investimentos em títulos do TESOURO IPCA, que “oferecem rendimento igual à variação da inflação mais uma taxa prefixada de juros”. O título TESOURO IPCA+ 2026, a título de ilustração, paga rentabilidade anual igual à variação do IPCA + 6,41%, acima da taxa de juro atuarial de longo prazo.

Proteger os recursos garantidores do RPPS contra a inflação é necessário, mas não é suficiente.


Leia também:

Marketing Arima

Deixe uma resposta